Guarulhos inserida na agenda global com a Rede Mundial de Cidades Michelin

A 1ª Conferência Mundial de Cidades Michelin, realizada na cidade francesa de Clermont-Ferrand, foi um marco para a inserção e Guarulhos na agenda global. Com o foco na temática de “cidades sustentáveis”, o berço da gigante dos pneus recebeu representantes de mais de 40 cidades de todo o mundo, todas tendo em comum o fato de abrigarem unidades produtivas do grupo Michelin, para compartilhar experiências de suas iniciativas voltadas à sustentabilidade.

Além de um fórum sobre sustentabilidade, porém, este evento foi o pontapé inicial de um projeto de escopo mais amplo: a constituição efetiva da Rede Mundial de Cidades Michelin. Iniciativa da prefeitura de Clermont-Ferrand, com apoio da Michelin, a proposta consiste em criar uma plataforma colaborativa internacional com este grupo diverso de cidades, permitindo um intercâmbio permanente e a construção de parcerias estratégicas para o desenvolvimento sustentável. A plataforma terá um ambiente virtual no qual as cidades poderão interagir de forma contínua, compartilhando informações e notícias, discutindo temas variados e identificando a compatibilidade entre soluções globais e demandas locais. Alguns princípios em comum foram identificados de pronto, como a intersecção entre as temáticas de Cidades Sustentáveis e a de Cidades Inteligentes.

Olivier Bianchi, prefeito de Clermont — Ferrand, França
Olivier Bianchi, prefeito de Clermont — Ferrand, França

A referência global para a construção da agenda de sustentabilidade são os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável, ou simplesmente ODS, resultantes de uma ampla negociação internacional e acordados na Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, realizada em 2015. Os ODS são um total de 17, com 169 metas a serem alcançadas até 2030, a chamada “Agenda 2030”, e muitas destas metas, no contexto brasileiro, dependem de políticas de âmbito local, de competência dos Municípios, para serem alcançadas. A intersecção surge quando constatamos que a integração de tecnologia na vida urbana, através de soluções de Cidade Inteligente, não só facilita a vida dos cidadãos, reconfigurando e intensificando seu relacionamento com a cidade, mas permite também um melhor enfrentamento de uma série de desafios postos pelos ODS.

No passado era comum igualar o desenvolvimento econômico com a produção industrial e entender externalidades destas atividades como efeito colaterais do inevitável progresso. Externalidades, no caso, consistem nos efeitos positivos ou negativos de natureza social, ambiental e econômica que uma atividade causa externamente ao seu processo. Um dos exemplos mais clássicos de externalidade negativa de natureza ambiental é a emissão de CO2 na atmosfera como resultado da queima de carvão, como é o caso de muitas usinas termoelétricas, agravando a situação climática global. Atualmente, porém, os processos econômicos devem ser encarados de forma holística, e as externalidades negativas geradas precisam ser encaradas como custo, impactando assim na eficiência dos processos e impulsionando a busca por inovações que possam aprimorá-los.

Durante a Conferência foi possível ver de perto como a tecnologia e a inovação estão de mãos dadas com a sustentabilidade, em um tour por uma usina de aquecimento da cidade de Clermont-Ferrand que opera com biomassa na forma de lascas de madeira, distribuindo calor a cerca de 6.000 residências através de uma tubulação com água. Embora a queima de madeira pareça com o exemplo citado acima, neste caso o processo foi construído de forma a minimizar ou mesmo remover externalidades negativas, maximizando a eficiência do processo em sentido amplo. Os gases emitidos durante o processo são filtrados e os resíduos, essencialmente cinzas, são aproveitados na fabricação de fertilizantes agrícolas. Este fluxo dos resíduos mostra uma aplicação prática de economia circular, em que o que antes era tratado como rejeito passa a ser tratado como matéria-prima.

Embora o exemplo acima não traga uma relação direta com o contexto da maior parte o Brasil, as ideias envolvidas são plenamente aplicáveis para outros desafios que enfrentamos. O acesso a este repertório de ideias é o grande benefício do intercâmbio permanente entre as cidades que se inicia com esta Conferência, mesmo que não sejam soluções que possam ser simplesmente replicadas.

Outro benefício que resulta da inserção de Guarulhos na comunidade das “Cidades Michelin” é a projeção internacional da cidade. Com a presença do maior Aeroporto Internacional da América Latina no centro geográfico de nosso município, a cidade está unicamente posicionada para ser a porta de entrada de empresas de todo o mundo para o Brasil e para a América do Sul. Estar alinhada com a agenda de cidades globais apenas reforça esta posição. Devemos envidar esforços sérios para demonstrar que nossa cidade, além de um lugar de chegadas e partidas, encontros e despedidas, é também um lugar onde se está em conexão permanente com todo o globo, tudo a um voo de distância.

Como parte deste esforço, Guarulhos se candidatou para sediar o próximo encontro da Rede Internacional de Cidades Michelin, que a partir de agora deve ter periodicidade bienal, com cada edição sendo realizada em uma cidade diferente. Guarulhos não foi a única cidade a demonstrar a intenção de abrigar a edição de 2019, o que sinaliza que esta comunidade de cidades está de fato engajada para a condução desta agenda conjunta pela sustentabilidade.

Este esforço não se restringe a isso e, em consonância com a pauta posta pela gestão do Prefeito Guti, temos muito o que fazer para que em 2019, independentemente da cidade que venha sediar o encontro, possamos ter em execução um programa de Cidades Humanas, Inteligentes e Sustentáveis que não só apresente uma visão de longo prazo para enfrentar a Agenda 2030 e além, mas que tenha uma estrutura de governança que garanta sua continuidade independentemente de mudanças de gestão. A única forma de estabelecer este tipo de governança é com o engajamento efetivo e o empoderamento da sociedade guarulhense, que deve também assumir a responsabilidade enquanto protagonista de seu próprio futuro.

A sociedade de Guarulhos é plural e diversa, mas o elo com a cidade traça um destino compartilhado. Este destino aponta para a construção de uma cidade inteligente e sustentável cuja forma ainda está por ser definida. Esta mesma situação se replica em escala global, e cada cidade deve passar por um processo de autoconhecimento e autocrítica para definir seu próprio caminho para a sustentabilidade.

Com a vinda da Michelin para Guarulhos em 2016 temos mais um ator de peso em nosso ecossistema empresarial com compromisso internacional pela sustentabilidade. Contamos com a participação e parceria desse ecossistema no processo de construção da Guarulhos do futuro. Vamos juntos!

Rodrigo Barros

Secretário de Desenvolvimento Científico, Econômico, Tecnológico e de Inovação de Guarulhos (SDCETI)

 

 

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