Smart City Expo World Congress 2017 – Último dia

Pois é pessoal, chegou o último dia dessa experiência incrível que foi o Smart City Expo 2017, uma oportunidade que foi aberta a Guarulhos pela Frente Nacional dos Prefeitos – FNP, e aproveitamos a deixa para agradecer a todos da entidade por todo suporte à comitiva de prefeitos brasileiros com os quais tive a honra de dividir estes momentos aqui em Barcelona.

Começamos nosso dia na Sala 1, com o painel “Cities Adapting to a More Extreme Climate” (Cidades se Adaptando a um Clima mais Extremo), que contou com a participação do Prefeito de Teresina/PI, Firmino Filho. Teresina é uma cidade que vem convivendo com extremos climáticos há algum tempo, variando entre secas e episódios de precipitação elevada que resultavam em enchentes do Rio Parnaíba, às margens do qual a cidade cresceu. A apresentação destacou os esforços feitos em Teresina para lidar com os efeitos dos extremos climáticos, com foco em dois problemas comuns nas cidades:

– Enchentes

– Ilhas de Calor

Para mitigar as enchentes foi implementado um processo de ressignificação de áreas urbanas localizadas em regiões alagáveis, com foco na melhoria da drenagem, saneamento básico, preservação ambiental de regiões relevantes, seja com a recuperação direta de matas ciliares ou através da implantação de parques lineares.

Para enfrentar o fenômeno das ilhas de calor, agravado em uma cidade que convive diariamente com temperaturas elevadas, como no caso de Teresina, foi proposto o planejamento urbano seguindo o modelo de cidade compacta (trabalho, residência, serviços, bens de consumo e lazer próximos uns dos outros), que reduz a concentração de automóveis na região central e o calor assim gerado, a melhoria no transporte coletivo para as áreas que ainda ensejam um grande fluxo de pessoas e a ampliação de áreas verdes (parques, telhados verdes, hortas comunitárias, entre outros).

Muitas das ideias descritas acima já são implantadas em alguma medida em muito Municípios, mas aí é que entra em destaque a capacidade de execução de cada administração. Quando perdemos energia em coisas que não se voltam ao alcance do resultado positivo que buscamos na cidade, a execução fica prejudicada. Por isso, ressaltamos novamente, é importante que a Prefeitura e seus cidadãos construam uma cultura colaborativa, de ganha-ganha e não de perde-perde.

Depois deste painel, voltamos a explorar a feira, que é uma das experiências mais interessantes de eventos como este. Nesta oportunidade, duas companhias chamaram nossa atenção:

Mobileye – empresa israelense recentemente adquirida pela Intel que atua nas áreas de Mobilidade e Segurança.

Citelum – empresa francesa que atua no setor de iluminação pública inteligente e que expandiu seu portfolio de produtos para abarcar soluções integradas de Cidade Inteligente.

A visita a estes estandes demonstrou a dinamicidade do mercado de inovações em soluções de cidade inteligente, um ramo promissor para startups, com possibilidades reais de, em sendo criada uma solução viável e escalável, ser adquirida por uma grande empresa que consiga levar esta solução para todo o mundo. A cidade é um fenômeno orgânico em que muitas vezes os problemas são emergentes, sem possibilidade clara de previsão. Da mesma forma, as soluções para cidades desenvolvidas por estas companhias tiveram desdobramentos emergentes.

A Mobileye começou em 1999 como uma empresa que desenvolvia softwares para “Advanced Driver Assist Systems – ADAS” (Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista), que eram fornecidos a mais de 25 fabricantes de automóveis. O avanço na criação e códigos para dar suporte aos três pilares desse tipo de solução (sensores, mapeamento e política de direção), levou a um desdobramento para desenvolvimento de veículos completamente autônomos e também de soluções diversas não só para mobilidade, mas também para segurança, através do desdobramento de suas tecnologias de sensores.

A Citelum, por sua vez, passou por um processo análogo, ao verificar que as competências e soluções desenvolvidas para a gestão de iluminação pública, bem como a infraestrutura embarcada, davam potencial para a integração e gestão integrada de diversos equipamentos que atingiam também as áreas de segurança e mobilidade. Esta tecnologia de gestão integrada, denominada MUSE®, passou a ser um dos principais produtos, permitindo não apenas a gestão de diversos equipamentos e sensores diferentes, mas o processamento de dados para suporte na tomada de decisões.

Na feira também tivemos a oportunidade de conhecer estandes de países e cidades que vêm se destacando na área de tecnologia para cidades inteligentes, com destaque para a Holanda e para Israel, países que até mesmo realizam um evento específico chamado “Smart Cities Innovation Day” em 2016, reunindo os principais atores da indústria de cidades inteligentes de ambos os países.

Amsterdam, na Holanda, é vanguarda nas temáticas de cidades inteligentes e resilientes. Especialmente vulnerável às mudanças climáticas por estar situada abaixo do nível do mar, a resiliência é uma questão de sobrevivência da cidade, que desenvolveu soluções incríveis em barragem e drenagem, mas não só isso. A cidade é ícone em políticas urbanas de mobilidade, sendo reconhecida como a cidade e capital mais amigável a bicicletas no mundo. 60% das viagens na área central são feitas de bicicleta e 40% das viagens em geral na área urbana usam este modal. A cidade também tem um ecossistema de inovação em soluções de cidade inteligente pujante e serve como referência nestas iniciativas.

Neste último dia também tivemos a honra de confraternizar e até mesmo entrevistar diversos amigos da FNP que fizeram parte da comitiva brasileira, conversando sobre as diversas experiências de cada um no evento e na gestão municipal:

Gilberto Perre, Secretário Executivo da FNP, destacou do evento a apresentação a cidade de Lyon sobre “ruas completas”, iniciativa que visa tornar o ambiente urbano menos voltado para carros e mais convidativo às pessoas;

Vinicius Medeiros Farah, ex-Prefeito de Três Rios e atual Presidente do Detran do Rio de Janeiro, que assumiu uma prefeitura com orçamento abaixo de 100 milhões de reais/ano e 7 anos depois conseguiu elevar este orçamento para mais de 450 milhões de reais, focando na atração de empresas ao município através da desburocratização e do fomento ao empreendedorismo – bandeira levantada também pelo Prefeito Guti e por mim na nossa visão de futuro para Guarulhos;

José Auricchio Júnior, Prefeito de São Caetano do Sul em seu terceiro mandato (2005-2008; 2009-2012; 2017-atual), administrador experiente que destacou a relevância do evento para o compartilhamento de experiências bem sucedidas entre cidades de todo o mundo, papel de integração que a FNP vem desempenhando no contexto brasileiro;

Jonas Donizette, Prefeito de Campinas e Presidente da FNP, que destacou a relevância da participação de Guarulhos no evento e relembrou que a 72ª Reunião Geral da FNP ocorrerá entre os dias 27 a 29 de novembro em Recife, e que o Prefeito Guti, enquanto Vice-Presidente de Cidades Aeroportuárias, deverá seguir com esta agenda de integração e empoderamento dos Municípios.

Pois é pessoal, nossa experiência no Smart City Expo World Congress 2017 se encerra aqui. Vamos nos despedir de Barcelona e retornar para Guarulhos com a cabeça cheia de novas ideias para enfrentar os desafios da nossa cidade. Agradeço a todos que acompanharam essa jornada, ao Prefeito Guti e à cidade de Guarulhos pela confiança para representá-los neste evento e, novamente, à Frente Nacional dos Prefeitos, que tornou tudo isso possível.

É isso aí, um grande abraço e nos vemos em Guarulhos!

RB

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