Smart City Expo World Congress 2017 – Dia 2

Começamos nosso segundo dia assistindo à fala de Robert Muggah no auditório, sobre o tema da Resiliência. Robert Muggah, co-fundador do Instituto Igarapé, atualmente residente do Rio de Janeiro e que aceitou nosso convite para vir a Guarulhos conhecer a cidade e debater o tema diante do contexto do nosso município. Depois disto, ainda no auditório, acompanhamos o painel “Making Safer, Smarter and Healthier Cities” (Criando Cidades mais Seguras, Inteligen tes e Saudáveis), no qual o tema da resiliência ressurgiu relacionado às questões de segurança e qualidade de vida com integração de soluções IoT (Internet of Things – Internet das Coisas).

Resiliência é uma ideia chave quando pensamos as cidades e um futuro em que a população se concentra cada vez mais em um mesmo lugar, potencializando problemas como: habitação, alimentação, resíduos, emissões de carbono e mobilidade. A ideia de resiliência é muito próxima da ideia de sustentabilidade: uma cidade resiliente deve ser sustentável para não colapsar sobre seu próprio peso e também deve ser capaz de identificar e enfrentar crises de forma eficiente. Isto passa pelo aumento da eficiência dos processos urbanos, reduzindo emissões de carbono, otimizando gastos de energia e integrando percepções locais com o pensamento especializado mundo afora para encontrar as soluções capazes de atender da melhor forma as peculiaridades de cada local.

Diante da amplitude dos temas do painel, aproveitamos para dar um pulo na feira em que as soluções que eram abordadas nas discussões estavam disponíveis para vermos pessoalmente e interagir. O destaque nesta primeira visita foram os produtos voltados ao mercado da mobilidade, incluindo carros elétricos e autônomos que prometem alternativas mais limpas e inteligentes aos carros atuais movidos a combustão.

Depois fomos até a Sala 5, onde acompanhamos o painel “Municipalities Addressing Financial Challenges” (Municípios Enfrentando Desafios Financeiros). Nesta apresentação destacamos a apresentação da International Finance Corporation – IFC (Corporação Financeira Internacional), que faz parte do grupo do Banco Mundial, e que ressaltou que para o avanço de projetos de Cidade Inteligente são necessários:

·        Empoderamento

·        Capacidade

·        Responsabilidade

O Empoderamento, em especial, envolve a autonomia fiscal vinculada às autoridades tomadoras de decisão em um ambiente com estruturas intergovernamentais claras. Parte deste Empoderamento, no caso brasileiro, envolve a revisão das competências e da distribuição de recursos entre os entes da federação diante desta realidade de protagonismo dos Municípios. A Frente Nacional dos Prefeitos – FNP está à frente desta pauta e Guarulhos já pode sediar um encontro com a presença de diversos prefeitos que debateram o tema e elaboraram um documento que será levado à 72ª Reunião Geral da FNP, que ocorrerá entre os dias 27 e 29 de novembro em Recife.

A Capacidade e a Responsabilidade andam de mãos dadas e se ligam à necessidade de integração dos cidadãos e empresas nas estruturas de governança de projetos de Cidade Inteligente. Isso deve ser feito através da inclusão efetiva das comunidades a partir dos bairros na coleta de dados e identificação de demandas, convertendo dados em inteligência com uso de tecnologia que permita a interação de líderes e especialistas em Cidade Inteligente presentes nas Academias e Empresas. Com a promoção de uma visão colaborativa e com a visão estadista do Prefeito Guti vamos buscar criar a estrutura de governança que poderá garantir a perenidade das políticas de Cidade Inteligente de Guarulhos.

Depois disso, voltamos à feira e pudemos acompanhar mais soluções voltadas à mobilidade. Quando falamos de mobilidade é preciso ressaltar que este problema vai além de demandas mais imediatas como o asfaltamento de vias públicas e o transporte coletivo. Embora estas demandas precisem ser enfrentadas, é essencial colocar energia nas fases do planejamento urbano em geral e do planejamento da mobilidade em especial.

O planejamento urbano vai influenciar os deslocamentos que serão necessários no futuro e, quando é seguido o princípio de redução das distâncias entre casa e trabalho, ampliando o número de zonas mistas e o emprego local, há uma tendência à adoção pela população de alternativas não poluentes de deslocamento, como a caminhada e as bicicletas – esta é uma linha que tem sido contemplada nas discussões de revisão do nosso Plano Diretor. O Plano de Mobilidade de Guarulhos, por sua vez, está sendo elaborado no âmbito da nossa Secretaria de Transportes, com a participação de diversas pastas da Prefeitura, e deve determinar nossa política de mobilidade pelo ao menos no médio prazo.

Retornamos à Sala 5 para acompanhar o painel “IoT & Data Enabling the Next Generation of Urban Services” (Internet das Coisas e Dados Habilitando a Próxima Geração de Serviços Urbanos), onde pudemos acompanhar apresentações de empresas como a Microsoft, Mastercard e NEC. Nestas apresentações conseguimos ver o estado da arte na área de IoT voltada às cidades.

Ficou claro que as soluções de IoT estão abrindo novos caminhos que precisam ser considerados no planejamento da cidade. Elas permitem a coleta de dados através de câmeras e sensores integrados ao mobiliário urbano, gerando um repositório massificado de informações da cidade (Big Data) e o tratamento destes dados através de softwares avançados capazes de identificar pistas nas imagens e dados captados pelos sensores aumenta a inteligência e a velocidade de resposta dos órgãos públicos, auxiliando na identificação de demandas e execução de ações para melhorar o fluxo do tráfego diante de ocorrências como acidentes e falhas mecânicas de veículos. Todas estas informações, porém, precisam ser tratadas e tornadas acessíveis à população e aos funcionários municipais que atendem às demandas, por isso é importante uma plataforma de integração que gere outputs acessíveis.

Com isso em mente passamos o restante deste segundo dia explorando a feira, visitando estandes de soluções integradas, e conseguimos fazer um contato relevante com representantes da Siemens, que possuem times especializados em cidades inteligentes e concordaram em visitar Guarulhos para conhecer nossos desafios e nossa visão sobre o tema.

Este segundo dia foi cheio de novas experiências, ideais e também contatos que devem vir à nossa cidade para pensar conjuntamente soluções diante das nossas peculiaridades.

RB

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